Operação tesouro

03/10/2007

Conversa entre cliente e garçom, ontem a noite, em pizzaria frequentada por descolados e modernos:

-Eu quero uma pizza marguerita. Com nota fical, por favor.

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Gramsci das Alagoas

21/09/2007

Nelson Motta – FSP, 21/09/2007

Um velho homem de esquerda, com seu passado de lutas, Renan Calheiros, absolvido pelos seus companheiros de causa, agradeceu citando Gramsci. Disse que a mídia está se transformando em partido político. Talvez porque, diante das vilanias, bandalheiras e traições dos partidos e dos políticos aos seus eleitores e ao país, o interesse público tenha obrigado a mídia a preencher esse vazio e assumir os compromissos desmoralizados pelos políticos.Nem mesmo um militante partidário, desde que alfabetizado, acredita que empresas comerciais concorrentes como a Folha, o “Estadão”, “O Globo”, o “Zero Hora”, a “Veja”, a TV Globo, o SBT, a CBN, a RBS e os maiores veículos de comunicação do país, que disputam ferozmente leitores, espectadores e anunciantes, juntaram suas forças em uma conspiração para destruir as reputações ilibadas dos patriotas Renan e Zé Dirceu. 

Para eles, só os veículos “independentes” -que vivem de publicidade do governo e de estatais- têm isenção para noticiar e comentar o mensalão, os sanguessugas e o caso Renan. Mas o povo é ingrato e despreza tantas qualidades, poucos compram as verdades deles. Talvez a maioria absoluta dos anunciantes e da população não saiba escolher os jornais, blogs, revistas e TVs para anunciar e para se informar. Só iluminados, como Dirceu e Renan, sabem como deve ser uma mídia democrática a serviço do país e dos cidadãos. O duro é convencer as pessoas a acreditar nela. E sobretudo neles.

Se os políticos e os partidos fizessem pelos seus eleitores uma pequena parte dos serviços prestados pela mídia independente -que não precisa deles nem do governo para sobreviver-, seríamos poupados de ouvir o Gramsci das Alagoas nos dar lições de ética e democracia.


Bravatas

17/09/2007

BBC Brasil – 17.09.2007
Lula diz não ter medo de crise e dá recado a Bush

Presidente Lula e o primeiro-ministro espanhol, José Luiz Zapatero
Lula e o premiê José Luis Zapatero, no Palácio de la Moncloa, Madri
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira em Madri que não tem medo de que a crise financeira internacional chegue ao Brasil.

Diante de investidores e do primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, Lula não só responsabilizou o governo dos Estados Unidos, como mandou um recado para o presidente George W. Bush.

“Daqui a alguns dias vou encontrar o meu amigo Bush e vou dizer a ele: Bush, resolve o problema da crise, porque não vamos deixá-la atravessar o Atlântico (SIC) e chegar ao Brasil. Ele vai ter que assumir a responsabilidade”.

Lula insistiu que a situação econômica brasileira é sólida o bastante para resistir às circunstâncias internacionais. E lembrou aos empresários que já passou o tempo em que o Brasil era vulnerável em todos cenários de crise.

“Estou convencido e não costumo trabalhar com medo premeditado. Ninguém me assusta na Terra. Os Estados Unidos vão ter que resolver o seu problema. Eu tenho certeza de que essa crise não vai afetar o Brasil.”

‘Política inadequada’

O presidente ganhou o apoio do primeiro-ministro Zapatero, que também responsabilizou o governo americano pela ameaça de extensão do problema a outros mercados.

O líder socialista da Espanha disse que a crise é “conseqüência de uma política inadequada de um país que é a maior potência do mundo”.

Durante uma entrevista coletiva no Palácio de la Moncloa, sede do governo espanhol, ambos dirigentes reivindicaram também uma renovação no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

O Brasil reivindica uma vaga permanente e conta com o apoio da Espanha.

“Espanha e Brasil estão juntos em uma visão de democratização da ONU. O mundo mudou, e é preciso que a ONU se modernize. As Nações Unidas não podem ter a mesma estrutura de 60 anos atrás”, disse Lula.

Quanto à Rodada de Doha, o presidente explicou que o Brasil não pretende medir forças com as grandes potências internacionais, mas também não quer “voltar para casa” com a sensação de que os países em desenvolvimento não têm voz.

“Não importa se o Brasil não ganhar. Se empatar, já está bom”, disse Lula.


Vá tomar caju!

29/08/2007

Fragmentos do discurso do presidente da república luiz inácio lula da silva:
“É um dia sui generis. Um dia, eu diria, especial para o caju. É de se perguntar por que uma fruta que contém todos os nutrientes ainda não foi aproveitada pela sociedade brasileira para se transformar em alimento”.

“A gente não tinha o hábito de comer caju como alimento, como muitas vezes as pessoas não têm o hábito de tomar suco de caju. Eu penso que nós não fomos felizes, ao longo do século XX, em divulgar e convencer as pessoas de que isso era importante.”

“Em algum momento da História, algum de nós cometeu um erro contra o caju. Um cajuzinho puro é muito bom no domingo à tarde ou próximo do almoço. Mas eu acho que o Brasil não tem o direito, nós não temos o direito de prescindir de uma riqueza como essa.Eu estou convencido de que tudo aquilo que nós deixamos de fazer no século XX, nós temos que fazer no século XXI.”

“Quem está com fome é preciso, primeiro, adquirir o hábito alimentar. E pode começar comendo um hambúrguer de caju, pode começar com uma pizza de caju, pode começar com uma carne de caju.Vamos fazer do caju um debate nacional.Eu acho que em algum momento alguém cometeu um erro e nós estamos aqui dizendo que não dá mais para continuar no erro.”


Como apanha a última flor do lácio…

27/07/2007

Publicado aqui – o grifo é meu.

A Radiobras não reproduziu na íntegra o longo discurso ontem (46m33s) de Lula em João Pessoa (PB), em mais uma etapa do “tour” de lançamento do PAC no Nordeste. Omitiu, no resumo jornalístico, o trecho em que o presidente, depois de exaltar a necessidade de investimentos na Educação – com “essa meninada presa” – atacou os que falam uma língua estrangeira e os que o criticaram na campanha presidencial por não falar inglês, espanhol ou francês – o que o impediria de conversar com dirigentes estrangeiros. A língua é o valor da pátria, temos que aprender a falar corretamente a nossa língua”, bradou Lula, num discurso populista digno de elogios chavistas. “Brasileiro falando a língua do outro é um metido a besta”, avalia o presidente. Criticou também os representantes brasileiros que falam inglês [“falando em estrangeiro” (sic)] em solenidades no exterior (atenção, chanceler Celso Lafer, olho vivo, presidente do Banco Central Henrique Meirelles). Para Lula, o ex-presidente dos EUA Bill Clinton deveria falar português com os brasileiros. “Nos samos (sic) brasileiro, temos orgulho do jeito que samos (sic) (…) um país multético (sic).” Ok. As autoridades francesas só falam francês em público, as americanas, porque se permitem manter a arrogância de maior potência mundial, também. Mas o Bill Clinton arriscou umas palavras em português na visita ao Brasil, Bush filho falou com Lula um tico de português misturado ao espanhol. E Lula…bom, o presidente realmente não precisa falar inglês. E pelo que se ouve a partir dos 20 minutos do discurso, português também não. O próximo PAC deveria incluir verbas para ensino obrigatório da linguagem dos sinais para viagens ao exterior e navegação na internet.


hard life

26/06/2007

Folha de São Paulo – 26/06/2007

“Existem crimes piores”, diz pai de jovem agressor


SERGIO TORRES
DA SUCURSAL DO RIO

O microempresário Ludovico Ramalho Bruno, 46, disse acreditar que o filho Rubens Arruda, 19, estava alcoolizado ou drogado quando participou do espancamento da empregada doméstica Sirlei Pinto. “Uma pessoa normal vai fazer uma agressão dessa?”, perguntou ele após ter sido vítima de um tiroteio na delegacia. Dono de uma firma de passeios turísticos marítimos, Bruno afirmou que o filho não deveria ser preso, para não conviver com criminosos na cadeia. “Foi uma coisa feia que eles fizeram? Foi.
Não justifica o que fizeram. Mas prender, botar preso, juntar eles com outros bandidos… Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses? Existem crimes piores.” Se forem indiciados, os acusados vão responder por tentativa de latrocínio (pena de 7 a 15 anos de prisão em caso de condenação) e lesão corporal dolosa (de 1 a 8 anos de prisão).

Folha – O sr. acredita na acusação contra seu filho?
Ludovico Ramalho Bruno – Eles não são bandidos. Tem que criar outras instâncias para puni-los. Queria dizer à sociedade que nós, pais, não temos culpa nisso. Eles cometeram erro? Cometeram. Mas não vai ser justo manter crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham, presos. É desnecessário, vai marginalizar lá dentro. Foi uma coisa feia que eles fizeram? Foi. Não justifica o que fizeram. Mas prender, botar preso, juntar eles com outros bandidos… Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses? Existem crimes piores.

Folha – O sr. já falou com ele?
Bruno – Não. É um deslize na vida dele. E vai pagar caro. Está detido, chorando, desesperado. Daqui vai ser transferido. Peço ao juiz que dê a chance para cuidarmos dos nossos filhos. Peguei a senhora que foi agredida, abracei, chorei com ela e pedi perdão. Foi a primeira coisa que fiz quando vi a moça, foi o mínimo que pude fazer. Não é justo prender cinco jovens que estudam, que trabalham, que têm pai e mãe, e juntar com bandidos que a gente não sabe de onde vieram. Imagina o sofrimento desses garotos.

Folha – O sr. acha que eles tinham bebido ou usado droga?
Bruno – Estamos com epidemia de droga. A droga tomou conta do Brasil. O inimigo do brasileiro é a droga. Tem que legalizar isso. Botar nas farmácias, nos hospitais. Com esse dinheiro que vai ser arrecadado, pagar clínicas, botar os viciados lá, controlar a droga.

Folha – Mas o sr. acha que eles poderiam estar embriagados ou drogados?
Bruno – Mas é lógico. Uma pessoa normal vai fazer uma agressão dessa? Lógico que não. Lógico que estavam embriagados, lógico que podiam estar drogados. Eu nunca vi [o filho usar droga]. Mas como posso falar de um jovem de 19 anos que está na rua numa epidemia de droga, com essas festas rave, essas loucuras todas.

Folha – Como é o seu filho em casa?
Bruno – Fica no computador, vai à praia, estuda, trabalha comigo. Uma pessoa normal, um garoto normal.